Mendel e seus abismos

Confira o artigo escrito pelo biólogo, pesquisador e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Luiz Antonio Botelho de Andrade, no volume 11 da Revista Genética na Escola.

Disponível em: https://labaciencias.files.wordpress.com/2018/04/revista-genecc81tica-na-escola-volume-11-nucc81mero-2-suplemento.pdf


Revista Genética na Escola – volume 11 número 2 suplemento

Biologia é a maior diversão

Confira a notícia publicada no site da FAPERJ:

Vinicius Zepeda

Biologia-é-a-maior-diversão1

O pai toma café da manhã com o filho enquanto a empregada comenta que o leite azedou de novo. O patrão, biólogo e professor universitário, então, pergunta, em tom provocativo, por que motivo. Desafiada, ela responde que é por causa do tempo. “Mas o que teria no tempo que azeda o leite?”, questiona o patrão. Preocupada, ela formula uma nova resposta: deve ser a colher suja. Todos na mesa se entreolham e a criança se defende. Finalmente, surge a hipótese da contaminação por micro-organismos. É a vez da empregada indagar:  mas o que são micro-organismos? A cena descrita acima faz parte de um dos quatro vídeos da série educativa “Quem foi que disse”, voltada para ajudar estudantes do ensino médio e universitários, e seus professores, a debaterem temas ligados ao conceito biológico da vida e seu surgimento. O projeto, coordenado pelo biólogo, pesquisador e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Luiz Antonio Botelho de Andrade (que faz o papel do pai de família no filme), contou com o auxílio do edital Apoio à Produção de Material Didático, da FAPERJ.

Andrade volta a atuar como pai de família num segundo filme da série. Neste, ele está em casa enquanto a filha assiste ao telejornal. Ela então fala sobre escavações na fazenda do seu Damasceno, compadre dele na história, onde foram encontrados vestígios de ossadas humanas. A partir daí, a discussão caminha para a pré-história da humanidade, passa pela hipótese das migrações humanas pelo Estreito de Bhering, chegando à descoberta do fóssil mais antigo de mulher já encontrado no Brasil, batizado de Luzia, achado em Minas Gerais e com cerca de 10 mil anos. Para o biólogo, o cinema é uma das mais eficazes e persuasivas formas de comunicação de massa e deve ser utilizada no processo ensino/aprendizagem. “Esta utilização pode ser ainda potencializada, hoje, com o uso da internet, das tecnologias digitais, celulares com câmeras, entre outros”, destaca. Até o momento, sua equipe  disponibilizou quatro filmes educativos num canal do Vímeo – site de compartilhamento de vídeos na internet. No filme Quem foi que disse: sobre a origem da vida, alunos do CIEP 122 e  de outras escolas do município de São Gonçalo, vizinho a Niterói, atuaram no filme.

Não foi surpresa a alegria dos estudantes quando a equipe retornou em duas oportunidades ao CIEP 122 para fazer palestras sobre a origem da vida e para mostrar o filme do qual eles haviam participado. Em uma dessas visitas, o professor Luiz Andrade doou ao laboratório da escola um aparelho de Stanley Miller – aparato similar àquele criado pelo cientista na década de 1950, utilizado para simular as condições da Terra primitiva, obtendo, através da experiência, a síntese de aminoácidos, constituintes naturais das proteínas. “O aparelho é utilizado no filme”, lembra Andrade. A ideia inicial seria gravar os vídeos em DVD e distribuir pelas escolas públicas de todo o estado do Rio de Janeiro. “Como não tínhamos recursos suficientes, surgiu a possibilidade de disponibilizarmos o material na internet. Mesmo assim, distribuímos DVDs para os participantes do filme (mais de cem) e para muitos professores de escolas públicas”, acrescenta.

Num segundo filme, ossadas humanas encontradas numa escavação servem de mote para falar sobre a pré-história (Divulgação/UFF)

(Luiz Andrade aponta algumas vantagens em agrupar os filmes no portal de compartilhamento de vídeos Vímeo. “Este canal nos permite verificar o acesso, postar novos filmes e ao mesmo tempo, fazer novos ajustes que melhorem o material ali disponibilizado”, recorda o pesquisador. Para ele, as críticas são necessárias e bem-vindas. “A principal delas, apontada por alguns estudantes e professores, se refere às passagens mais lentas, com falas ainda longas. Nosso principal desafio é encontrar o equilíbrio entre o conteúdo científico debatido e a dinâmica própria do cinema”, complementa.

Andrade destaca o uso dos filmes no Colégio Nossa Senhora das Mercês (Niterói), no CIEP 122 e para as crianças do Projeto Educacional Grael (Niterói). “Além disso, os filmes foram veiculados no canal universitário da UFF (Unitevê) por duas semanas consecutivas”, recorda. Ele comenta ainda que o link dos filmes foi enviado para todas as secretarias de educação dos municípios do estado do Rio de Janeiro. “Apesar disso, ainda não temos uma pesquisa sistemática para saber como este material tem sido utilizado nas escolas fluminenses”, admite o biólogo.

Para dar suporte à utilização dos filmes, a equipe de Andrade elaborou dois blogs educativos, um livro de divulgação científica e um segundo livro, previsto para ser lançado no final deste ano. O blog “Quem foi que disse” contém imagens e discussões acerca da série educativa, além de textos de apoio aos temas ali debatidos. Já o blog intitulado “Conhecer e conhecimento” apresenta textos voltados para estudantes universitários e professores da área.

Em parceria com o colega Edson Pereira da Silva, do Departamento de Biologia Marinha da UFF, Luiz Andrade lançou o livro de divulgação científica “Porque as galinhas cruzam as estradas“, onde o conceito biológico de vida e sua origem é debatido. “O outro livro, Para um estudante de biologia saber, iniciativa institucional apoiada pela UFF, com lançamento previsto para dezembro de 2011, aborda os temas: origem da vida, célula e organismo, genes e herança, evolução, espécie, ecologia e ecologismo, biologia e conhecimento, e biologia e sociedade, em duas versões, eletrônica e impressa”, afirma Andrade. Aprender Biologia não precisa ser chato, pode ser a maior diversão.

Link: http://www.faperj.br/?id=2093.2.0

Filme Carlos Chagas

O próximo projeto do Laba Ciências, o documentário sobre o cientista Carlos Chagas, foi pautado pelo jornal Gazeta de Minas no dia 19 de novembro de 2017.

O que é ser humano?

Destacado

Este artigo tenta mostrar que o humano do ser humano é mais o resultado de um devir do que o apogeu de um acabamento biológico capturado e engessado por uma concepção tipológica de espécie. A partir do processo evolutivo e de algumas etapas da evolução humana, ressalta-se a importância da sociabilidade para o surgimento da linguagem articulada e desta para a explosão da inventividade humana, o surgimento da cultura e a emergência da autoconsciência. © Ciências & Cognição 2007; Vol. 12: 178-191.

Acesse o artigo, clique aqui:
O que é ser humano?

O conhecer e o conhecimento: comentários sobre o viver e o tempo.

Destacado

Resumo

Com base nas idéias de Humberto Maturana e Francisco Varela, é mantido que todos os organismos vivos são sistemas cognitivos e, portanto, capazes de conhecer o mundo em que vivem. No entanto, nem todos os organismos são capazes de fazer uma referência à história, utilizando os recursos da linguagem. A esta atividade denominamos conhecimento, ou seja, a produção de enredos explicativos, restrito ao mundo humano. Nesta definição reside a novidade proposta por este artigo, à distinção entre conhecer e conhecimento, pela associação da história à teoria da autopoiese. Segue-se uma discussão sobre a linguagem e sua relevância para produção de qualquer que seja o sistema de conhecimento.

Como citar?
Andrade, L.A.B. & Silva, E.P. (2005) O conhecer e o conhecimento: comentários sobre o viver e o tempo. Ciências & Cognição 4: 35-41.

Ciências & Cognição 4: 35-41. Disponível em: http://www.cienciasecognicao.org/pdf/v04/m31530.pdf

 

O conhecer e o conhecimento- comentários sobre o viver e o tempo

Luz, câmera, ciência!

Biólogo coordena iniciativa de educação e divulgação de ciência com diversas abordagens. Vídeos sobre a origem da vida e do viver, feitos em colaboração com alunos de escolas públicas de São Gonçalo (RJ), são o carro-chefe do projeto.

As descobertas do francês Louis Pasteur sobre a origem da vida são ponto de partida para um mergulho na história do surgimento dos primeiros organismos do planeta. (imagem: reprodução)

Em um misto de dramatização e documentário, os roteiros ganham um tom épico ao abordar a origem do universo e dramático quando mostram as descobertas de um pesquisador sobre a origem da vida. Esse é o projeto ‘Quem foi que disse?’, uma série de vídeos disponíveis on-line desenvolvidos na Universidade Federal Fluminense (UFF), que pretende divulgar a ciência de forma lúdica e instigante.

Sob a direção do pesquisador Luiz Antônio Botelho Andrade, do Instituto de Biologia da UFF, foram produzidos dois médias-metragens com o objetivo de estimular a reflexão e o questionamento a respeito de diversos temas da biologia. As produções incluem trechos de dramatização, aulas e entrevistas, envolvendo pesquisadores e alunos.

Outros dois curtas estão disponíveis no canal do projeto no Vimeo (plataforma de compartilhamento de vídeos na internet), com partes ou resumos dos originais, para facilitar a utilização em sala de aula.

Entre os temas abordados estão a origem e a própria definição de vida, passagens da história da ciência e até divergências entre ciência e religião. Alguns trechos trazem, por exemplo, um biólogo, interpretado pelo próprio Andrade, explicando ao seu filho os argumentos de Louis Pasteur para refutar a teoria da geração espontânea (que defendia o surgimento de vida a partir de matéria inorgânica) e utilizando botões coloridos para ilustrar a origem dos primeiros aminoácidos na Terra pré-histórica.

“Os produtos audiovisuais podem ajudar a dinamizar as atividades de ensino”

Alunos do Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) 122 e de outras escolas do município de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, também atuam no filme, representando proteínas para formar um ‘modelo vivo’ que explica o surgimento das primeiras células.

A intenção das produções é utilizar novos recursos para despertar nos alunos o interesse pelos conteúdos de sala de aula. “Os produtos audiovisuais podem ajudar a dinamizar as atividades de ensino. Para isso, é importante investir na qualidade das produções e fornecer aos professores suporte teórico e educacional que auxiliem na sua utilização”, avalia Andrade.

O público-alvo do projeto, no entanto, não inclui apenas estudantes. A série procura fazer crianças, jovens e adultos pensarem sobre temas da ciência, valorizando mais as perguntas do que as respostas.

“Nossa preocupação está evidente desde o título da iniciativa. Não queremos simplesmente passar definições, mas abordar os temas da biologia com um compromisso educativo e de forma estimulante e polifônica, valorizando discursos e conhecimentos muito variados, de crianças, professores, trabalhadores, estudantes, filósofos e cientistas”, explica o pesquisador.

Exibição e sequências

Segundo o biólogo, a maior dificuldade do projeto tem sido equilibrar o conteúdo científico dos vídeos com a especificidade da linguagem cinematográfica. Assim como na ciência, a disposição para o aprendizado é fundamental. “Experimentar, errar, tentar novamente, improvisar e trabalhar duro fazem parte do processo”, avalia Andrade.

Projeto "Quem foi que disse?"
Com dramatizações da história do homem e da ciência, os vídeos tentam aproximar o conteúdo científico do público, apostando no formato audiovisual como trunfo para despertar o interesse. (imagem: reprodução)

Na busca pelo sucesso de público e crítica, os filmes já foram apresentados no Teatro da UFF, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, em disciplinas de graduação e pós-graduação da instituição e em projetos realizados pelos pesquisadores em colégios da rede pública e privada dos municípios de Niterói e São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Um deles também foi veiculado pelo canal da universidade, a Unitevê.

O próximo vídeo da série já está sendo elaborado e deve ter como tema o conhecimento e as questões relativas aos métodos, modelos, hipóteses, teorias, experiências e conceitos como ilusão e verdade. Além disso, a ideia é promover oficinas de trabalho que permitam o diálogo com professores das escolas públicas e particulares para debater o conteúdo apresentado e aspectos da decodificação de imagens audiovisuais.

A iniciativa também deu origem a dois blogues: Quem foi que disse, com imagens, textos e roteiros utilizados na série, e Conhecer e conhecimento, com textos de apoio para professores, além do livro de divulgação científica Por que as galinhas cruzam as estradas?, escrito em parceria com Edson Pereira da Silva, pesquisador do Departamento de Biologia Marinha da UFF.

Marcelo Garcia – Ciência Hoje On-line

Disponível em: http://www.cienciahoje.org.br/noticia/v/ler/id/3942/n/luz,_camera,_ciencia

Matéria Plantão em Foco – “Quem foi que disse: Síndrome de Down”

Síndrome de Down – inclusão e respeito

No próximo dia 21 de março, quarta-feira, é comemorado o Dia Internacional da Síndrome de Down e para celebrar esta data, a cidade de Niterói preparou uma série de atividades.

De 20 a 24 de março acontece a 4ª edição do Niterói Down Click na Beleza que é uma parceria da prefeitura de Niterói com a Niterói Mais Humana. O tema desta edição é: “Caminhos na profissionalização da pessoa com Síndrome de Down” que pretende provocar na população uma reflexão a respeito da inclusão, das necessidades decorrentes desta situação e de lançarmos um olhar mais humano acerca da diversidade e da política inclusiva, tornando real o ideal de uma sociedade inclusiva e para todos.

No dia 20, terça-feira, às 16h, tem a abertura do evento no MAC (Museu de Arte Contemporânea) com o lançamento do filme “Quem foi que disse: Síndrome de Down” e debate da obra.

No dia 21, quarta-feira, às 9h, tem solenidade na Câmara Municipal de Niterói.

Já no sábado, dia 24, no Campo de São Bento haverá show de talentos e tendas interativas.

No dia 28, às 10h, tem a inauguração do Telecentro da Pestalozzi.

A Síndrome de Down é uma alteração genética que acontece no processo de formação do bebê. Logo nos primeiros estágios da gestação, é formado um cromossomo a mais, que confere características diferentes, como atraso nas funções mentais e motoras. Desde crianças, as pessoas com Síndrome de Down possuem um grande potencial a ser desenvolvido, apenas precisam de mais tempo e estímulo da família, de especialistas e de professores. Sendo assim, elas são capazes de desenvolver suas habilidades e serem incluídas na sociedade.

Disponível em: http://plantaoenfoco.com.br/index.php/2018/03/19/sindrome-de-down-inclusao-e-respeito/