Luz, câmera, ciência!

Biólogo coordena iniciativa de educação e divulgação de ciência com diversas abordagens. Vídeos sobre a origem da vida e do viver, feitos em colaboração com alunos de escolas públicas de São Gonçalo (RJ), são o carro-chefe do projeto.

As descobertas do francês Louis Pasteur sobre a origem da vida são ponto de partida para um mergulho na história do surgimento dos primeiros organismos do planeta. (imagem: reprodução)

Em um misto de dramatização e documentário, os roteiros ganham um tom épico ao abordar a origem do universo e dramático quando mostram as descobertas de um pesquisador sobre a origem da vida. Esse é o projeto ‘Quem foi que disse?’, uma série de vídeos disponíveis on-line desenvolvidos na Universidade Federal Fluminense (UFF), que pretende divulgar a ciência de forma lúdica e instigante.

Sob a direção do pesquisador Luiz Antônio Botelho Andrade, do Instituto de Biologia da UFF, foram produzidos dois médias-metragens com o objetivo de estimular a reflexão e o questionamento a respeito de diversos temas da biologia. As produções incluem trechos de dramatização, aulas e entrevistas, envolvendo pesquisadores e alunos.

Outros dois curtas estão disponíveis no canal do projeto no Vimeo (plataforma de compartilhamento de vídeos na internet), com partes ou resumos dos originais, para facilitar a utilização em sala de aula.

Entre os temas abordados estão a origem e a própria definição de vida, passagens da história da ciência e até divergências entre ciência e religião. Alguns trechos trazem, por exemplo, um biólogo, interpretado pelo próprio Andrade, explicando ao seu filho os argumentos de Louis Pasteur para refutar a teoria da geração espontânea (que defendia o surgimento de vida a partir de matéria inorgânica) e utilizando botões coloridos para ilustrar a origem dos primeiros aminoácidos na Terra pré-histórica.

“Os produtos audiovisuais podem ajudar a dinamizar as atividades de ensino”

Alunos do Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) 122 e de outras escolas do município de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, também atuam no filme, representando proteínas para formar um ‘modelo vivo’ que explica o surgimento das primeiras células.

A intenção das produções é utilizar novos recursos para despertar nos alunos o interesse pelos conteúdos de sala de aula. “Os produtos audiovisuais podem ajudar a dinamizar as atividades de ensino. Para isso, é importante investir na qualidade das produções e fornecer aos professores suporte teórico e educacional que auxiliem na sua utilização”, avalia Andrade.

O público-alvo do projeto, no entanto, não inclui apenas estudantes. A série procura fazer crianças, jovens e adultos pensarem sobre temas da ciência, valorizando mais as perguntas do que as respostas.

“Nossa preocupação está evidente desde o título da iniciativa. Não queremos simplesmente passar definições, mas abordar os temas da biologia com um compromisso educativo e de forma estimulante e polifônica, valorizando discursos e conhecimentos muito variados, de crianças, professores, trabalhadores, estudantes, filósofos e cientistas”, explica o pesquisador.

Exibição e sequências

Segundo o biólogo, a maior dificuldade do projeto tem sido equilibrar o conteúdo científico dos vídeos com a especificidade da linguagem cinematográfica. Assim como na ciência, a disposição para o aprendizado é fundamental. “Experimentar, errar, tentar novamente, improvisar e trabalhar duro fazem parte do processo”, avalia Andrade.

Projeto "Quem foi que disse?"
Com dramatizações da história do homem e da ciência, os vídeos tentam aproximar o conteúdo científico do público, apostando no formato audiovisual como trunfo para despertar o interesse. (imagem: reprodução)

Na busca pelo sucesso de público e crítica, os filmes já foram apresentados no Teatro da UFF, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, em disciplinas de graduação e pós-graduação da instituição e em projetos realizados pelos pesquisadores em colégios da rede pública e privada dos municípios de Niterói e São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Um deles também foi veiculado pelo canal da universidade, a Unitevê.

O próximo vídeo da série já está sendo elaborado e deve ter como tema o conhecimento e as questões relativas aos métodos, modelos, hipóteses, teorias, experiências e conceitos como ilusão e verdade. Além disso, a ideia é promover oficinas de trabalho que permitam o diálogo com professores das escolas públicas e particulares para debater o conteúdo apresentado e aspectos da decodificação de imagens audiovisuais.

A iniciativa também deu origem a dois blogues: Quem foi que disse, com imagens, textos e roteiros utilizados na série, e Conhecer e conhecimento, com textos de apoio para professores, além do livro de divulgação científica Por que as galinhas cruzam as estradas?, escrito em parceria com Edson Pereira da Silva, pesquisador do Departamento de Biologia Marinha da UFF.

Marcelo Garcia – Ciência Hoje On-line

Disponível em: http://www.cienciahoje.org.br/noticia/v/ler/id/3942/n/luz,_camera,_ciencia


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